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A. MAGALHÃES. PALAVRAS QUE NÃO SE AUSENTAM

A. MAGALHÃES. PALAVRAS QUE NÃO SE AUSENTAM

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Linha férrea denunciando o afastamento das suas gentes. A insaciedade de uns quantos leva ao pauperismo de outros. Muitos. Que não se subentenda a estanqueidade a que se submete esse enfraquecimento. Pois de maior relevo, entendam que sinalizo a lucidez e a predisposição para se desassossegar e manter em estado de alerta em condição agora a si mesclada.

Entre o centro de Amarante e suas limítrofes populações, algo diminui geográfica distância, voluntariamente mantida pela comodidade de bandeira em haste pelo público e proximidade que se deveria pretender. Eis que folheamos as palavras inamovíveis a tempestuosos ventos, sequer a azul lápis que tem para si a consciência do desfasamento a que se palanca, de A. Magalhães.

No circuito do silêncio ensurdecedor de uns, meros fazendeiros de opinião, eis que o fluxo do humanismo impulsionado é pelo labor das palavras que nos foram partilhadas sem qualquer troca requerida, excetuando a sua leitura, a reflexão e a conjugação de humanas ações discursivas. Uns, certamente, no pódio do seu conformismo e individualismo de paga quota, poderão esquematizar uma revolução em aquecimento, desnecessária até. Outros, como o amigo a quem devolvo um abraço com circunscritos vocábulos, partilhando de seu labor que nem sempre de sol se bronzeia, não prescinde do seu contributo para que a comunidade que o habita seja um espaço despido de qualquer obstrução ou obnubilação a vital parecer, de a tornar um espaço onde os afetos e humanos direitos não sejam desencaixotados em cirúrgicas quadras.

  1. Magalhães não se demite da luta contra a precariedade do Humanismo, rejeitando qualquer vínculo laboral sazonal deste que na verticalidade dos poderes instalados associam a Dignidade a um laço para embrulho de conteúdo geometricamente calculado.

Textos, vários, não poderão ficar esquecidos em gaveta alguma. Mas para que não se cave comum vala onde remetam importantes palavras, incentivando um fluxo que as levará ao esquecimento, é preciso Vontade. E nesta, circunscrita aos homens, deverá ser um reflexo do reconhecimento de quem jamais se coroou de abstenção ao que de mal se aproxima das relações humanas.

A enumeração de alguns tópicos de discussão em volta de redonda mesa, de vértices inúmeros, poderia levar ao de sempre. À acomodação e ao foco no que distrai, sem acrescento lúcido, grande parte do que se plasma em jornalísticas páginas.

Mas será que alguém se lembra de A. Magalhães? Será justo esse emoldurar encaixotado, esquecido em sótão de limpeza nula, de pessoas que em muito contribuíram para vespertina reflexão?

De um encontro que se proporcionou, em mim causou um dano irreparável. Certo que deambulando por lusitano país, semelhanças encontraria. Infelizes, digamos. Desnecessárias, não fosse da natureza dos homens e mulheres a facilidade do desprendimento para com os outros, quando estes em nada capitalizam à sua bolsa de prioridades, de superficialidades várias.

Em soalheiro dia, em sua morada, escutei agasalhadas palavras. Sentado, num discurso fluente, refletido, lúcido, de um desassossego necessário, não vão alguns mais atentos apropriar-se de algum intervalo.

Certo que nenhum aproveitamento se concretizará, declinando o gáudio de muitos.
A. Magalhães não prescinde do autónomo ser, consciente de que o maior mal é a pobreza, a fome a que uns entregam os outros. E os outros. E os outros. Essa sim, decadência maior do projeto de humana raça. Seja feita a sua vontade.

Se um deus, qualquer que seja, existe, não se revê nesta realidade. Pedimos tanto de transcendente ser que nos demitimos da responsabilidade e do reforço da culpa, assim que erros cometidos são.

É precisamente a partir de uma profunda análise que se parte para a alteração destes paradigmas sociais e humanos. Algo que bebemos dos textos de amarantino escritor. Sem qualquer receita definida, conjuga as palavras de acordo com os seus atores.

Analisando os seus textos, ao longo das décadas, não podemos negar a importância dos mesmos na fotocópia histórica, social, humana das gentes desta terra.

Nos interstícios do seu pensamento, permitido nos era refletir acerca dos diversos temas apresentados. Uma mesa redonda onde, sem besta apontada, se reforça o diálogo. Este, pedinte e alimentado sorrateiramente por alguns.

Assim, um precedente de grande relevo para que em comunidade fluída seja a comunicação e a construção de pontes de entendimento, onde jamais se exclua o respeito pela pluralidade humana, essencial para a manutenção da democracia.

Devemos a A. Magalhães a gratidão de quando muitas vozes se calam a dele nunca se admoestar pela intermitência. Devemos a este senhor das palavras e do Humanismo o devido reconhecimento, onde o esquecimento não reitere o seu malicioso comportamento em intelectual destreza.

É fundamental que as novas gerações cresçam com a certeza de que em seu território vale a pena semear palavras. Refletir. Contribuir para o filosofar, sem qualquer entrega ao esmorecimento, quando na ótica de quem se alberga em relutante poder, capital algum se embolse.

A existência é feita de continuidades. Nem sempre de fraturantes paradigmas. Ambos coexistem. Dialogando. Respeitando-se. Na continuidade, jamais renegar a importância das palavras plasmadas em centenas de textos do escritor A. Magalhães, que imensa falta nos fazem em físicas páginas de amarantinos jornais.

Esperando que um dia o sectarismo de uns tantos esmoreça e inéditos textos sejam desenhados em páginas que se querem desassossegadas, vou caminhando, refletindo, com aqueles que me acompanharam ao longo de anos.

Ler A. Magalhães é ter saudades de tempos que não vivi. Ler A. Magalhães é acompanhar a (e)terna infância da Princesa do Tâmega, ladeando-a, de mão dada.

Que não se subtraiam as palavras, pois, estas, jamais se ausentam.

José Gonçalves